Peço desculpas por não saber descrever o que eu vi. Por não saber descrever direito,
exatamente o que eu sinto. Isso é prova de que eu, assim como você, não sei me expressar. E isso não tem nada a ver com palavras
escritas ou desenhadas como as suas.
Talvez você saiba ser mais clara do que eu, claro! Eu escondo meu sentimento por trás de ironias por achar tudo muito
brega. Uso ironia já que essa se encarrega de dizer
exatamente o contrário do que eu queria. Você não. Você diz, não teme. Você me olha nos olhos e diz todas as coisas ridículas. E eu, temo o que?
Ando muito fria, desculpe. E ando mais do que o normal, tanto que ainda não tirei o "
pseudo-" da denominação que me deu. E talvez nunca saia disso por mais que já esteja tudo consumado. Talvez acabe antes que eu queira assumir que já começou faz tempo. Não! Não quero que acabe o que eu ainda não assumi que começou faz tempo, só acho que vai demorar o suficiente para você cansar do prefixo.
No desenho eu vi
exatamente o que sou:
pseudo-algo-para(de)-você. E eu vi em você
exatamente o que é:
você. Sem prefixo, sem sufixo, sem nada. Simples,
exatamente o que é. Totalmente entregue. Como se eu fosse uma caixa de
SEDEX que se partiu em vinte e cada pedaço foi entregue a um
destinatário diferente. Alguns pedaços já estão sendo entregues em suas mãos, enquanto os outros muitos andam perdidos por aí em lugares que eu não sei e se sei finjo não saber.
Não aguento mais escrever sobre medos, fazer repetições, tentar inventar sobre a vida dos outros e
coisetal. Minha vida anda tão feliz e eu simplesmente ignoro. Talvez porque seria muito frustrante tentar descrevê-la e não ter êxito. Mas eu já fiz isso várias vezes, sempre fiz na verdade, por que agora não fazê-lo? Talvez dizer
Porque sou pseudo-algo-para(de)-você fosse funcionar, mas eu nunca fui simplesmente
eu-para(de)-alguém, ou já?
Estou com a
opotunidade de ouro em mãos de sê-lo... e aí? Ou será que eu dei, novamente, nome próprio à solidão?
E sim, te desculpo por não saber escrever, afinal, nem eu sei.