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'Cabou escola, mas agora...

Tirar um peso enorme das costas nem por um segundo me aliviou. Eu só aumentei o peso do que eu já carregava junto com o que estava nas costas antes e agora saiu.

Só não queria essa maldição do esforço que é achar que o resultado era obrigação, enquanto cada erro é quase uma pena de morte.

Amor uniformemente variado.

Não queria voltar com esse amor sincero - por mais que seja esse, amor e sincero - já que o que quero agora é devastação. Quero um amor - que seja um e que seja amor - que arraste tudo consigo, que arraste tudo comigo, que me deixe no chão. Não quero ir e voltar com esse amor nosso, que a cada ida e volta busca buscar o que restou, até o último doce do doce. Quero um amor uniforme, mas pode ser variado. Só não quero mais amor pausado, amor classe média, que tenta aproveitar até o furo ser maior que a entrada das calças.

Não quero esse pra sempre tão logo, mas também não quero esse "até logo" pra sempre. Eu só quero saber que você ainda me ama com a maior pureza, da mesma forma que eu te amo por inteira, e que quando minha juventude for herança dos netos eu saiba que encontro em você o amor mais tranquilo do mundo, pra gente viver nossa eternidade, seja na vida que nos restar, seja na morte que virá.

O mesmo amar é causa de não amar e o ter amado muito, de amar menos.

Antônio Vieira.

Meu discurso do Oscar.

- Eu nem sei o que falar! - disse eu, ofegante, depois de tanta emoção - Ah! Hahahaha! Nossa, é mesmo pra mim? Hahaha! Acho que todo mundo fala isso, é! É pra mim, ok! Então, não sei o que falar hahaha. De novo, enfim... vou agradecer algumas pessoas. Meus pais que nunca gostaram muito das minhas histórias, ou que não leram muito bem, mas que sempre me apoiaram, ou pelo menos nunca me embargaram. Minhas namoradas e as dos outros que me fizeram escrever. Acho que mais as dos outros né? Hahaha! A faculdade que eu sobrevivi, ao pré-vestibular que quase me matou. Aos meus amigos de lá que eu falo até hoje e que são tão poucos. Aos outros amigos de fora que sempre me apoiaram, mesmo às vezes não entendendo muito bem o que se passava comigo. E a mim, claro! O que seria de mim sem eu mesma? Acho engraçado que muita gente, pelo que eu saiba ou pelo que falam, tem medo de falar em público. Eu não, eu gosto. Gosto bastante. Não vou culpar meu signo nem nada, eu gosto mesmo. Mas acho que isso tem um pouco a ver com o que me fez chegar até aqui e, claro, me ajudou a chegar até aqui. Se eu não fosse egocêntrica, e isso não quer dizer egoísta ou coisa que o valha, eu não chegaria até aqui. Não pisei em ninguém, mas nunca me subestimei e sempre visei meu benefício. Se eu não fosse confiante, o que não quer dizer metida ou coisa que o valha, eu não estaria aqui. Me perguntaram ali fora se eu achava que ia ganhar e eu dei certeza disso. Acharam um absurdo, mas pra quê perguntar? Desde o início eu sabia pra mim mesma que ia ganhar, não só esse, mas os outros prêmios que eu ganhei. Se eu entrasse em alguma competição sabendo que não ia ganhar, nem viria. Acho que é justamente essa a diferença entre o confiante e o metido. O confiante sabe das coisas, acredita em si, mas guarda. O metido faz questão de falar pros outros, talvez a fim de desestabilizar os concorrentes. Peço por favor, para que eu não seja metida, que parem de encher a porra do saco em toda premiação que eu for, já que agora vocês já sabem que eu vou ganhar todas que eu entrar, ou pelo menos as que eu estiver presente. Obrigada também a Penélope Cruz que me entregou a estatueta, você é linda, amo você, casa comigo?

Aline,


Não vou me satisfazer com tão pouco. Por favor, volte a falar comigo! Aquela felicidade que você viu transbordar no canto dos olhos quase formando rugas com meus nem tão próximos 20 anos não dura pra sempre e se acaba rapidinho sabendo que você só fez aquilo para que eu parasse de te encher (mesmo sem você saber).

Aguado um contato, e que seja contínuo. Não vejo problema nenhum em olhar pro futuro e perceber que posso cansar de você, além do mais, eu acho isso o máximo.

Te amo e não me faça usar a força (que força?).

(Não queira saber qual, por mais que nem eu saiba, mas eu tenho medo das coisas que eu não sei, mas que eu sei que estão guardadas.)

Acho que cansei.

Voltei a cansar da rotina. Quando eu coloco aquele cd que eu escuto quase todo santo dia no caminho do compromisso, brocho. Pensei que minha felicidade fosse me fazer resistir a tudo isso com um sorriso no rosto, e por mais que esse ainda esteja em seu devido lugar, quero praticar minha felicidade de preferência bem longe daqui.

Toda devassa.

Não estou em dúvida, nem indecisa, nem entre duas, ou mais. Estou entre nenhuma.

A única coisa que eu faço é aproveitar, no seu caso, todo o amor que a gente tem e que vai durar pra sempre. Mas eu também aproveito, por exemplo, tudo que nela eu não conheço e quero conhecer. Ou também naquelas outras pessoas, sem nome definido pra mim - ainda -, eu aproveito tudo que elas tem a me oferecer em troca de tudo que eu posso oferecer: sorrisos, palavras, conversas, cerveja.
Não! O corpo não! Esse eu já disse que lhe pertence. Só será devasso meu corpo quando eu me apaixonar perdidamente de novo e não pensar duas vezes antes de entregá-lo. E ainda que me pergunte, meu corpo só eu sei como usá-lo e como dá-lo (e a quem), menos em casos extremos que além de amores supremos inclui bebedeiras... você sabe.

Estou livre de qualquer complicação, qualquer dúvida. Quem de fora me vê não entende esse elogio constante a tantas variantes, variáveis, mulheres, amantes. Eu não tenho amantes, pra falar a verdade e esclarecer. Ou talvez eu tenha mais e não saiba, pois pelo que eu sei, amante, sendo aquele quem ama, só tenho uma. E é você, você me ama absolutamente. E eu te amo também.

Talvez a maior dúvida do passivo, daquele que assiste tudo isso é: se você encontrou o amor da sua vida e é o amor da vida do amor da sua vida (segura a língua!), por quê não...? E eu pergunto de volta: não o que? Eu bem assim, amando assim, sem deixar de viver e conhecer. E antes que me digam: que vagabunda! Eu já disse: coração vagabundo não, muito menos corpo, não, devasso também não! Talvez meus olhos sejam vagabundos por quererem olhar tantas coisas, minha boca e ouvidos por falarem com tantas pessoas e meus braços que abraçam tanta gente (comparando com a uma que tenho em coração pra sempre), mas isso tudo não é ser devassa. É ser sensata e aproveitar a vida que eu vivi tão pouco.
E só pra não deixar de reclamar da pouca vida que eu já tenho: quisera eu conhecer mais gente!

Aplicando "nenli" na vida.

Bolinho.

- Não consigo dormir.

- E você quer que eu faça o que?
- Nada, só fala.
- O que?
- Qualquer coisa.
- Bolinho.
- Bolinho!
- Eu sei que você acha fofo eu falar bolinho.
- É. Fala de novo?
- Bo-li-nho.
- Brigada.
- Nada. Só isso?
- Não, fala mais!
- Mais bolinho?
- Não, agora muda.
- Trabalhei muito hoje.
- Uma pena.
- Foi bom. A reunião foi com a L. N., lembra que eu falei?
- Lembro.
- Então.
- Ela gostou de você?
- Defina gostar.
- Eu querendo dormir e você quer que eu defina "gos-tar"?
- Desculpa. Bolinho!
- Ah!
- (ela riu, sorrindo, no telefone)
- Se eu visse esse sorriso agora eu ia dormir melhor.
- Então imagina.
- Tá.
- Então...?
- imaginando.
- Ah tá! Tá imaginando no telefone.
- Enquanto isso continua falando.
- Passei pela loja que você gosta. Pensei em ir lá dar uma olhada, mas tava com a roupa do trabalho, toda arrumada, ia me sentir muito estranha lá...
- Ah! Ninguém ia ligar, você é linda!
- Tava no carro, deu preguiça de descer, a verdade é essa.
- Sabe de outra?
- Não!
- A loja não abre hoje! Deu sorte, ia bater com a cara na porta!
- Que sorte a minha!
- Uhu!
- O que você tava pensando quando foi dormir?
- Várias coisas.
- Defi... tá, que coisas?
- Várias!
- Cita algumas!
- Hum! Se o arcondicionado tava funcionando direito mesmo, se eu ia na aula de 7 ou de 10 horas, o que eu faria se não passasse no vestibular, em bolinho, em você, em dinheiro, em Buenos Aires...
- Só?
- Disse várias! Tem mais que isso, naturalmente.
- Pensou em alguém que não eu?
- Talvez.
- Viu? Se só pensasse em mim estaria dormindo muito bem.
- Não, eu ia ficar ansiosa pra te ver, não ia conseguir dormir, por mais que eu tentasse.
- E se você pensa "nela", você não dorme porque?
- Eu durmo, se pensar só "nela". Mas eu não...
- Porque?
- Ah! Ela é um saco!
- Hahaha.
- Mentira. Nem tanto.
- Hum.
- Acho que a impressão que eu tenho é que eu nunca vou esquecê-la, e como nunca é infinito, eu não tenho pressa que chegue, então eu durmo bem.
- Mas você acaba esquecendo, como tá fazendo...
- Eu sei, mas se eu pensar assim...
- Não vai dormir!
- Justamente.
- Então eu sou finita? Você não acredita que a gente vai viver juntas pra sempre?
- Não.
- Ah claro!
- Se eu acreditasse nisso não estaria com você, afinal, teria a vida toda pra isso.
- Entendo.
- Mas eu e bem justamente porque sei que um dia vai acabar.
- Se não acabasse...
- Mesmo que eu estivesse com você com a certeza que era pra sempre, não ia me preocupar em não arranjar briga ou em valorizar tanto nossos dias, afinal, teríamos a eternidade pra isso. Pensa na vida! É tipo isso! Mas ainda tem gente que desperdiça, eu tento não desperdiçar você...
- Você pensa muito quando tá com insônia.
- É.
- Vou dormir, vamos?
- Juntas?
- Não rs. Mas vamos dormir agora? Eu prometo sonhar com você, já que eu não vou ter a eternidade pra isso.
- Tá, eu sonho com você também.
- Te amo.
- Eu também.
- Bolinho!

Dá azar lembrar de você logo quando eu vou dormir, porque mesmo que sem querer eu tenho medo de sonhar com você. Não que eu sonhe com a frequência e a intensidade de tempos passados, é só o medo da recaída e do dia de amanhã não ser tão bom quanto os outros que eu ando tendo.

Se já não bastassem as músicas, o coração, os filmes, os shows, os lugares, os bairros, os bares, O SONO! Porra! Me roubar o sono - e com preocupação, não com sonhos "ruins" como antes - é sacanagem.
Tô de mal.