quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Uma hora e meia.

Conversei com uma amiga hoje e ela me disse que ficou uma hora e meia conversando com o ex namorado e disse que falou para ele tudo que tinha a dizer. Quando eu disse "só uma hora e meia para dizer tudo?", ela achou um absurdo. Deixei pra lá, já que meus padrões são outros, mas pensei...

Eu fiquei três anos buscando o certo a dizer para a Mulherzinha, e não consegui.
Eu fiquei quase um ano tentando falar algo para a Melissa, e ela se foi.
Eu fiquei três anos com a Priscilla, e até hoje não consegui.
Três anos de Julia e não consegui.
Alguns meses de Luize, e nada.
Um ano e meio de Fernanda e muita coisa entalada.
Agora ela, noites e noites, desde março, conversando e eu não consegui chegar a uma conclusão de como falar pra ela o que eu sinto.

Eu sei que talvez tudo isso tenha sido atrapalhado já que eu vivi muitas dessas coisas ao mesmo tempo, mas cada uma com seu espaço na minha vida e coração, sem trair ninguém, no caso. E alguém acha suficiente uma hora e meia pra tanto tempo? Como eu vou falar tudo que eu preciso para a mulher que eu quero me casar em uma hora e meia? Como eu vou falar tudo que eu senti e sinto agora por um namoro que durou quase 3 anos de idas e vindas? Como eu vou falar o que ela significou para mim, se ela está em pedaços bem pequenininhos misturados na água do mar?

Acho que o principal problema é que eu sempre busquei as palavras que iam resolver meus problemas, tanto para o esquecimento quanto para convencer a pessoa em questão de que meu amor valeria a pena. Eu sempre quis algo em troca na hora de dizer, nesse caso, por isso nunca disse e sempre me ocupei de palavras que não diziam tudo, mas que eu não procurava resposta.

Vou tentar o impossível e fazer o que pode me machucar pra sempre e, principalmente, machucar alguém: eu vou falar sem rodeios, sem palavras bonitas. Vou falar como se eu tivesse pego o telefone e ficado uma hora e meia falando. Sem possibilidade de apagar o que eu disse.
Não sei quando eu vou fazer isso, mas eu vou, em breve. Vou fazer na ordem de acontecimento. Acho que, como sempre fui eu que falei tudo, elas nunca se deram o trabalho de fazê-lo, então eu que farei. Bem, na verdade, Cândida fez e faz e talvez meu maior medo seja o de falar dela e não conseguir alcançar a profundeza do que ela sempre me diz.

Taís, eu vou beber, pegar o telefone e gastar uma hora e meia. Ser repetitiva. Ficar de saco cheio. Falar tudo que eu tenho a dizer nesse espacinho. Mas no caso escreverei, pois é assim que eu faço, eu consigo simular situações e vou fazer assim dessa vez.