segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Café da manhã.

Eu não devia ter te sonhado
na sua cama do meu lado
e feito seu café da manhã
depois do domingo final de tarde
que acabou numa segunda chuvosa.

Eu não devia ter me lembrado
no conforto do travesseiro
que nesses últimos  quatro anos inteiros
eu te sonhei cada dia um pouco mais.

Eu não devia ter te abraçado
tão forte que senti em mim
voltar minha vontade
de escrever palavras fatais.

Eu não deveria ter me sentido capaz
e ter me permitido te amar
de um jeito que eu não tinha conseguido
a tempos atrás.

Eu não deveria ter escrito
isso ou aquilo
enquanto eu te via deitada dormindo
do meu lado, em cima do meu umbigo.

Eu não deveria ter te feito café da manhã
e te deixado tudo isso como bilhete
pois junto com este
eu deixo meu coração
e te proponho que,
tanto tempo depois,
você resolva o que fazer com ele.

Eu vou ficar com ele,
mas dessa vez te dou algo em troca.
Venha hoje, bata na minha porta,
que amanhã de manhã,
no café-da-manhã,
eu te entrego
meu coração.